Além das medidas convencionais de redução de emissão de GEE, cabe destacar a importância do controle das emissões de carbono negro ou fuligem (black carbon – BC), contida no material particulado, no contexto da mitigação do aquecimento do planeta. O BC absorve a radiação solar, não permite que a radiação refletida pela superfície terrestre retorne para o espaço e isso eleva a temperatura do planeta. Estudo divulgado pela Coalizão pelo Clima e Qualidade do Ar (CCAC), indica que o BC é o segundo poluente de maior impacto para as mudanças climáticas, atrás somente do CO2 e à frente do metano.

As estratégias de redução do material particulado do diesel, portanto, do ponto de vista global, terão influência relevante na desaceleração do aquecimento do planeta. Daí a importância e necessidade de inclusão de medidas de controle de emissões de particulados no rol de ações para a atenuação das mudanças climáticas.

Além da própria substituição dos veículos a diesel por alternativas tecnológicas não-fósseis e menos poluentes, da inspeção veicular dos veículos a diesel e das demais medidas que favorecem a redução ou eliminação das emissões de fumaça preta, o desenvolvimento de programas nacional/estaduais/municipais de incentivo e/ou utilização obrigatória de filtros de material particulado (retrofit) em veículos a diesel em uso, de carga ou de transporte de passageiros de uso urbano, apresenta-se também como estratégia complementar extraordinariamente oportuna para os gestores do transporte sustentável urbano.

 

Fonte: Diário do Transporte

 

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